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A FALSA HUMILDADE

No bom e mau arrependimento.

Para combater com mais eficácia esse desassossego tão funesto, São Francisco de Sales procura descobrir qual a causa habitual, para não dizer única: O amor- próprio egoísta, esse amor com que cada um se busca a si mesmo. Já o havia dito Santa Teresa:

“ Quando há verdadeira humildade, ainda que a alma se reconheça má e por isso esteja triste, essa tristeza não faz acompanhar de perturbação nem inquietação; é um pesar que não produz obscurecimento no espírito nem aridez; ao contrário, consola-o. A alma aflige-se por ter ofendido a Deus, mas por outro lado, dilata-se na esperança de sua misericórdia. Tem luz para doer-se e, ao mesmo tempo, para louvar a Deus, que tanto a tem suportado.

“Não é assim que sucede com a falsa humildade, inspirada pelo demónio: nela , não há luz para bem algum. É como se Deus tivesse posto tudo a sangue e fogo”.(17)
Não é outra a razão pela qual a perturbação após o pecado é um mal tão comum. “Torna-se humilde graças ás misérias próprias” – dizia um sacerdote – “é uma coisa boa que poucas pessoas compreendem; inquietar-se e perder a paciência á algo em que todos caem, mas é uma coisa má, porque o orgulho sempre leva a melhor nessa espécie de inquietação e despeito”(18). E Frederico Ozanam acrescenta finamente: “ Há duas espécies de orgulho: um que vive contente de si, e é o mais comum e o menos perigoso; outro que anda descontente de si, porque espera muito de si mesmo e se vê frustrado nas suas esperanças. Esta segunda espécie é muito mais refinada e perigosa”.

São Francisco de Sales denuncia em todos os seus ardis este orgulho disfarçado sob mascara da humildade: essa excessiva ansiedade da pessoa não tanto por curar-se como por saber que está curada, para ficar satisfeita consigo mesma; esses secretos despeitos que a impedem de fazer as pazes com a consciência, porque é mais cómodo abandona-la como incorrigível; essas melancolias em que mergulha; essa incessante e obsessiva contemplação das faltas cometidas e de si própria; essa necessidade de lamentar-se mais diante dos homens do que de Deus, com o imperceptível desejo de despertar compaixão. O sábio Doutor põe a descoberto tudo isso e mostra que “todas essas penas se devem a um mesmo espiritual que se chama amor-próprio(19)

“ Um modo de fazer bom uso da mansidão é pratica-la interiormente, procurando não nos irritarmos connosco próprios e contra as nossas imperfeições; porque, embora seja razoável que as nossas faltas nos desgostem, esse desgosto não deve ser amargo nem desabrido, mal-humorado ou colérico……”(20)
“Não devemos confundir o arrependimento com inquietação; é o amor-próprio que gera essa confusões, fazendo-nos sentir pena de sermos imperfeitos não tanto por amor de Deus como por amor de nós mesmos”(22)

“ O amor-próprio é, portanto, uma das grandes fontes de inquietação; a outra é o elevado conceito que temos de nós mesmos…….só desejamos o bem-estar interior, e desagrada-nos ter de reconhecer e tocar com os dedos a nossa miséria, o nosso nada e a nossa fraqueza”(23).

(17) Teresa de Ávila, Livro da vida, 30;
(18) J,-J. Allemand; (19) VI, 261. Colóquio XIV. Do juízo próprio.
(20) Introdução á vida devota, III, 9; (21) VI, 21. Colóquio II. Da confiança; (22) VI, 48 Colóquio III. Da firmeza.
(23) XIII, 29
Texto retirado: Não nos perturbemos – JOSEPH TISSOT

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